“Há uma solidão neste mundo tão grande que você pode vê-la no movimento lento dos ponteiros de um relógio. Pessoas tão cansadas. Mutiladas. Seja por amor ou por falta de amor. As pessoas simplesmente não são boas uma para as outra. Um em um. Os ricos não são bons para os ricos. Os pobres não são bons para os pobres. Estamos com medo. Nosso sistema educacional nos diz que todos nós podemos ser grandes vencedores. Ele não nos disse sobre os esgotos. Ou os suicídios. Ou o terror de uma pessoa em um só lugar. Sozinha. Intocada.”
Charles Bukowski.  
“Aí você gasta um de seus preciosos sins e deixa pra depois mais um daqueles seus adeus, que, aliás, tem de sobra na sua bolsa de pano, sempre à mão, para casos de emergência. E eu me pergunto: você vai ficar porque está chovendo, ou está chovendo porque você vai ficar? Tanto faz. Se eu bem te conheço, basta me despedir usando a tática do me-liga-qualquer-coisa. Foi assim, desse jeito, que até hoje nenhum dos seus adeus durou para sempre.”
Gabito Nunes. 
“Traga as flores, vamos enfeitar jardins. Traga as estrelas, vamos iluminar os céus. Traga o perfume, vamos dar um novo cheiro a esse ar, que exala tristeza aos quatro cantos da cidade. Traga o bem, vamos colocá-lo para habitar nas palavras. Traga o sol, vamos colocá-lo debaixo das pontes, dos viadutos, nas esquinas. Traga a pureza, colocaremos em cada mente atordoada. Traga a paz, vamos usá-la nas mãos, nos toques. Traga a boa nova, vamos colocá-la nas almas cansadas, nas lágrimas da solidão. Vamos enfeitar as ruas com o amor, que as luzes da cidade serão a esperança. Brilhe as vossas almas, resplandecente serão os vossos risos. Fogo ardente, consumidor, estará nos ventos mantendo a vontade de viver acesa. E aqueles que buscam a liberdade, trago notícias: liberte-se de suas vontades, o egoísta vive só. Amor próprio não pode ser desculpa para o isolamento, solidão só quer um pouco de espaço. Liberdade verdadeira só se pode encontrar quando a alma sente paz. Cante aos ventos, cante. Rogue pela vida, ela está tão linda.”
Leonardo Martins. 

eu queria poder fugir de mim de vez em quando. queria poder me rasgar ao meio e voar pra longe desse caos. queria poder evaporar e sair de fininho através dos poros da minha pele. eu tô ficando sufocada aqui dentro. tá apertado, tá escuro, tá um inferno. eu queria poder respirar o ar puro e ver o mundo de fora. às vezes dá aquela vontade insana, que vem de lá do fundo do âmago, de me jogar no vazio e ficar lá, esperando o dia em que o peso das angústias se torne mais suportável e que meus olhos se acostumem à escuridão. eu queria poder chorar rios que levassem embora meus demônios e rir sorrisos que varressem pra longe meu desalento. queria poder me virar do avesso pra ver se assim dá certo. é que parece que quanto mais eu tento arrumar minha bagunça interior, maior é minha desordem. eu já me revirei inteira procurando a origem desse inferno, que me engole de dentro pra fora, de fora pra dentro. nunca encontrei. eu queria poder ter rima. queria poder ser leve. queria fazer sentido. é, eu queria… talvez um dia consiga. talvez.

vrv
“Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). Tampouco quero ser comum e normal. Quero ser simplesmente eu. Quero rir, sorrir e chorar. Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito quando insisto em algo que não dá resultado. Quero aprender e, ainda assim, continuar criança. Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. Se der pra resolver, vamos lá! Se não dá, deixa pra lá. A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. Não quero saber tudo e nem ser racional. Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. E essa é a melhor parte de mim.”
Clarissa Corrêa. 

chove, quando deito, quando leio esses prefácios repetidamente. quando cravo, quando colo, quando eu quero. como eu gosto, como eu choro, como espero, como espero. e quando bate à porta, eu traco, entra pela janela… ah, como eu amo! deixo sempre aberta, porque eu gosto, porque eu quero, porque eu amo essa saudade. perdoa. mas eu amo quando chove.

Solidão não é quando me viram as costas e as músicas tristes me invadem. Nem sequer é quando escuto dos meus pais que sou um fracasso e que preciso de ajuda, ou quando os romances pessimistas que leio me dizem sobre o que eu não sou: eu mesmo. Solidão não é esta ausência à minha frente, nem mesmo é a boca muda em dias de festa, quando os tiros falam mais alto e as vozes são exaladas por silentes. Solidão não são as palavras cabendo dentro do teu peito minúsculo ou dentro do teu orgulho/silêncio/falta de amor. Solidão não é a queda como eu pensei ser, nem o não-toque nem a guerra declarada nem quando meu peito é coberto por lágrimas docemente salgadas. Solidão não é o buraco que restou na parede do quarto, nem esta ferida no dedão do pé, que queimou o chão em que eu andava e arrastou a esperança para a vala. Solidão não é a falta de algo ou alguém, muito menos o vácuo que se estende pela imensidão do meu quarto-pequeno.

(solidão é quando estou cara a cara com você, quando estou ao seu lado, quando estou perto, quando eu te enxergo. Solidão é quando estou conversando contigo mas a sua língua não é a mesma que a minha. É quando eu te procuro e você está mas não está, ou quando eu te vejo mas não te sei. Eu nunca te sei. Eu nunca te fui.)

Igor Pires.
“Longos são os dias que eu conto pro meu amor chegar. Longe eu sofro tanto e não aguento mais esse meu penar. Sinto tanta saudade da minha linda que há muito se foi. Choro todos os dias lembrando que o mundo não tem mais nós dois.”
Los Hermanos.